A nova situação de crises conjuntas (política, econômica e ambiental) exige o desenvolvimento de competências e comportamentos gerenciais adequados à tomada de decisões corretas e à realização de ações eficazes para o empoderamento competitivo das organizações.

O despreparo dos líderes e gestores pode passar despercebido em situações de tranquilidade. Não em situações de turbulências e riscos. Isso vale para todos os tipos de organizações, sejam elas grandes ou pequenas, públicas ou privadas.

Embora todos falem em novos paradigmas, reengenharia e aprendizagem organizacional, raros são os que aceitam ou utilizam eficientes fundamentos e métodos para transformar as organizações, tornando-as mais competitivas. A verdade é bem diferente. A maioria dos dirigentes, na maioria das organizações, ainda está treinada e equipada com métodos de trabalho do passado.

As circunstâncias competitivas do mercado mudaram. O raciocínio estratégico da maioria dos dirigentes não. Seus fundamentos estratégicos, estruturas gerenciais, sistemas de informações e programas de treinamento são dirigidos a ambientes competitivos que deixaram de existir há muito tempo.

Os principais motivos para os fracassos das organizações são:

1 – A falha começa no topo da organização. A maioria dos dirigentes conhece os problemas de suas organizações. Mas, por não saberem como, por inércia, por paternalismo ou por outros interesses, nada fazem para solucioná-los. A alta administração deve estar presente em todas as áreas da organização, deve abrir canais de comunicação internos e criar um sentimento de participação de todos os funcionários. Também devem pensar sobre as formas de empoderar os profissionais com as competências adequadas nos processos de tomada de decisões, incentivando o fluxo de novos conhecimentos, solução de problemas e inovação de processos, produtos e serviços.

2 – Rivalidades e competições inconsequentes. Falta de coesão da equipe gerencial, rivalidades e competições inconsequentes corroem o desempenho. Pessoas que deveriam unir seus esforços em prol da organização agem como inimigos. Seria, usando uma analogia militar, como se o Exército, Marinha e Aeronáutica disputassem para ver quem lidera uma invasão. É necessário estabelecer uma visão centralizadora de esforços e de comprometimento com os esforços das organizações.

3 – As organizações são preparadas para fracassar. Nos últimos 20 anos os dirigentes estão sendo preparados para falhar. O conhecimento geral foi dividido em especializações que provocam limitação da visão estratégica. Não há conexão entre estratégia e operações. As pessoas são educadas para NÃO trabalharem juntas. Elas são contratadas, motivadas e recompensadas por modelos que as educam a não confiarem, não gostarem e não falarem umas com as outras. Novos modelos de educação executiva precisam ser adotados pelas organizações para que suas equipes gerenciais desenvolvam as competências necessárias para o seu desenvolvimento organizacional e competitivo.

E esses três motivos de resistência às mudanças precisam ser eliminados ou, pelo menos, minimizados. Para assegurar o poder competitivo das organizações e a continuidade dos negócios, é preciso mudar, adaptar-se à nova realidade do mercado.

Mudança é sobrevivência. Mudança é especialmente necessária em organizações que desejam prosperar em um ambiente estratégico volátil, incerto, complexo e ambíguo.

Capacitar continuamente os profissionais da organização será a única forma de mantê-la empoderada e obter maior segurança na continuidade dos negócios. Os conhecimentos das pessoas são o maior recurso competitivo.

Por: Milton Roberto