Para quem pretende abrir o próprio negócio, antes de mais nada o professor da IBE-FGV, Edney Antonio Bruscagin Pin, afirma que é preciso fazer algo que a pessoa realmente goste, ou melhor, ame fazer. “Isso só não basta, você tem que entender do assunto. Saber fazer direito e, preferencialmente, com um diferencial em relação a seus concorrentes”, declara.

Ele exemplifica que a vida do empreendedor já é bastante complicada e exaustiva e deve ser compensada com algum ganho na satisfação em submeter-se a todo esse sacrifício. “O negócio do empreendedor deve ser movido pela paixão, pelo sonho, pelo ideal de vida, mas sempre com o pé no chão”, aconselha.

O professor explica que o segundo passo é “olhar, com todos os olhos que tiver, e de outros a quem você possa recorrer, para o mercado sob todos seus aspectos”. O essencial, na opinião dele, é não se deixe levar por modismos ou por “oportunidades da China” que prometem retorno rápido e fácil. “Isso não existe! Alinhe as informações de mercado com as suas expectativas pessoais. Quando se sentir seguro, não pelo “achismo” ou pelo “feeling” mas, sim, por evidências, siga em frente!”, aconselha.

Ele alerta ainda que se a pessoa gosta de acordar tarde, o ideal não é abrir uma padaria só porque “dá dinheiro”. “Alguém, de fato, ganhará dinheiro com ela, mas não será você, simplesmente porque não há congruência entre o negócio e o seu proprietário”, justifica.

Essa é a mesma opinião do gerente do Escritório Regional do Sebrae em Jundiaí, Alexander Terra Antunes. Para ele, cada candidato a empresário possui um perfil e deverá procurar um segmento que traga acima de tudo prazer. Outro ponto importante após identificar o segmento é montar um bom plano de negócio, levando em consideração a localização que irá montar o negócio, o público que pretende atingir (classe A,B,C), os produtos que serão comercializados e o preço que irá praticar. “Em relação ao preço é importante que o empresário tenha em mente todos os seus custos, portanto para abrir um negócio, precisamos tirar a emoção e agir com a razão, buscar informação e entender todos os detalhes são de extrema importância”, pondera.

Essencial – Dados do Sebrae apontam que 70% das empresas fecham nos primeiros cinco anos de funcionamento. Para o professor da IBE-FGV, a causa deste número elevado é a falta de planejamento estratégico. “Essa é a diferença entre o aventureiro e o empreendedor. O aventureiro acredita que tem uma boa ideia, e às vezes ele tem mesmo, mas se perde na execução. Não basta ter a intenção é preciso proporcionar condições para que ela se concretize”.

Ele acredita que o essencial ao assumir um empreendimento é fazer um planejamento estratégico que, para ele, deve ser aplicado 24 horas por dia, em absolutamente tudo que o profissional fizer não só na carreira, como também na vida pessoal. “Ele não é garantia de sucesso mas, quando o sucesso é atingido, é a ele que se deve a maior parte do crédito. É muito mais transpiração do que inspiração”, opina.

Para exemplificar, o professor cita que o planejamento estratégico não deve ser encarado como uma série de atividades burocráticas e chatas de se fazer, mas tem ser natural, rotineiro, porém nunca automático. “Planejar estrategicamente significa preparar o caminho para que seu sonho se torne realidade, corrigindo o rumo a cada necessidade, a cada instante, sem perder o Norte, na certeza de estar indo ao encontro do sonhado. Deve ser uma trilha e nunca um trilho. Deve ser seguido e não perseguido”.

Antunes avalia que o planejamento é um bom caminho para evitar erros e aumentar a oportunidade de ter um negócio sustentável. “O planejamento deve iniciar antes da abertura da empresa evitando logo de começo surpresas desagradáveis, mas ele deve ser revisto e revitalizado todos os dias, pois só assim teremos um planejamento atualizado e sempre a frente dos negócios”, observa.

Fonte: Jornal de Jundiaí